A “situação controlada” continua a fazer vítimas no norte de Cabo Delgado, treze pessoas assassinadas em apenas três dias



O norte de Cabo Delgado continua a viver um dos seus piores momentos em termos de ordem, segurança e tranquilidade públicas. 
O grupo ou grupos que desde Outubro de 2017 têm estado a atacar várias aldeias remotas dos distritos da região norte daquela província continuam a fazer vítimas.
Só nos últimos três dias, quatro aldeias distintas do norte de Cabo Delgado foram atacadas. Na madrugada de terça-feira, o grupo atacou a aldeia Pangane, distrito de Macomia. Na ocasião, um homem foi morto e uma mulher obrigada a seguir com o grupo atacante. 





No dia seguinte, também de madrugada, três homens foram mortos e uma mulher ferida, em mais um ataque atribuído a um “grupo armado desconhecido”. A incursão teve lugar na zona de produção de Muangaza, posto administrativo de Olumbi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado. 

Já na madrugada de ontem, quinta-feira, mais um ataque teve lugar. Foram visadas duas aldeias recônditas de dois distritos diferentes, mas todas a norte de Cabo Delgado. Trata-se da aldeia denominada Ntoni, distrito de Macomia. Aqui, o ataque resultou no assassinato cruel de sete pessoas, completamente inocentes e indefesas. A acção teve lugar cerca das 2 horas e 30 minutos. Nenhuma casa foi incendiada, mas três raparigas foram obrigadas a seguir o grupo. 

Horas antes, cerca das 21 horas e 30 minutos da quarta-feira, outro grupo atacava uma outra região. A aldeia Quiuia, posto administrativo de Quionga, distrito de Palma. Nesta incursão, duas pessoas foram mortas e muitas casas foram incendiadas. 





Cerca de 23 quilómetros separam a aldeia atacada ao centro da vila de Palma. 
Quiuia está na zona costeira e é vizinha da aldeia Mbuizi, também atacada semana passada, a poucos quilómetros da AFRIMATE, empresa que explora e vende pedra de construção à empresa responsável por montar o novo centro habitacional que vai acolher as populações que tiveram de deixar as suas terras para a Anadarko e os seus associados montarem a fábrica de LNG. Apesar de as autoridades continuarem com o discurso de “situação controlada”, a acção das Forças de Defesa e Segurança é quase inexistente, daí o quase à vontade que se assiste nas incursões dos bandos que estão a conseguir impor a sua ordem em várias aldeias. 

Esta é uma realidade que acontece mesmo depois de o Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, ter decidido visitar alguns acampamentos na perspectiva de dar algum moral aos batalhões que se diz estarem espalhados por aquela região.

MEDIA FAX – 08.02.2019



A “situação controlada” continua a fazer vítimas no norte de Cabo Delgado, treze pessoas assassinadas em apenas três dias A “situação controlada” continua a fazer vítimas no norte de Cabo Delgado, treze pessoas assassinadas em apenas três dias Reviewed by Z on fevereiro 09, 2019 Rating: 5

Nenhum comentário