Análise de como os segredos que Manuel Chang tem colocam em grande risco a elite endinheirada e o partido Frelimo


Muitas são as especulações dos moçambicanos sobre qual será o destino final do ex-ministro das finanças desde que foi preso na vizinha África do sul nos final do de Dezembro de 2018.

Para analistas como Marcelo Mosse do "carta", este caso coloca em perigo a toda uma elite corrupta que tem se beneficiado de esquemas para o enriquecimento ilícito.





Para aquele analista é óbvio que Manuel Chang esteja na posse de muita informação sobre a sujeira da corrupção que temos vindo a viver em Moçambique nos últimos anos. Ele sabe de mais, dos esquemas urdidos e dos seus principais beneficiários que, se for extraditado para os EUA e der com a boca no trombone, muita gente altamente posicionada na nossa elite endinheirada vai ser exposta como estando envolvida no roubo e no enriquecimento ilícito. Não é apenas a rede criminosa directamente beneficiária da dívida oculta que anda em pulgas com a perspectiva de uma delação de Chang. É toda uma súcia elitista que vive de negociatas com fundos públicos, também usados para financiar a manutenção da Frelimo no poder. Por isso, o alarido à volta da extradição de Chang para os EUA. E a intervenção da PGR para que o deputado seja julgado em Moçambique.

Para o analista a extradição de Manuel Chang que é oficialmente tida como no único e puro interesse da justiça, com o intuito de acautelar o confisco local de bens, é percebida na opinião pública como uma estratégia do poder político para evitar os danos eventuais de uma delação de Chang nos EUA, que exporia o profundo carácter improbo do nosso Estado.






Segundo Mosse trata-se, portanto, de um cálculo político. Mas um cálculo político feito a todo o custo, inclusive ante a possibilidade de convulsões sociais e até uma severa punição da Frelimo nas urnas em ano de eleições. A mera perspectiva de Chang regressar a Moçambique já está a causar uma ira profunda na sociedade, habituada a ver uma classe política corrupta se passeando na impunidade e temendo agora que Chang tenha a mesma sorte.

Os moçambicanos gostariam de ver este caso como um novo começo, diz Mosse. Um Estado energicamente comprometido em deixar que a justiça corra o seus tramites normais, mesmo que percamos de uma vez por boa parte dos bens roubados. Não seria a primeira vez. Deixar Chang ir para os EUA, independentemente do seu estatuto político, seria um golpe profundo sobre aqueles que continuam vivendo atolados no enriquecimento ilícito. Seria a demonstração de uma vontade política contra a impunidade.

Mas a Frelimo faz os cálculos que faz, diz o analista. Para proteger uns poucos, o partido investe contra a sua popularidade já nas ruas da amargura. O cálculo parece completamente errado. Em ano de eleições, não se compra uma guerra política com os EUA. Recordem-se: eles já têm consigo toda planilha de subornos na Privinvest. Todos os movimentos dos dólares corruptos da dívida. Se Chang for trazido para cá, é claro que essa informação vai ser vazada, para que a opinião pública saiba, em ano eleitoral, quem recebeu o dinheiro do calote. A Frelimo ficará a perder em toda a linha. E o próprio Chang também. Voltar a Moçambique para quê? Para acabar sucumbindo ao tédio ou a uma bala perdida de fogo amigo?



Análise de como os segredos que Manuel Chang tem colocam em grande risco a elite endinheirada e o partido Frelimo Análise de como os segredos que Manuel Chang tem colocam em grande risco a elite endinheirada e o partido Frelimo Reviewed by Z on fevereiro 09, 2019 Rating: 5

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