Mais um Ex-líder Moçambicano (da Frelimo) acusado de desvio de fundos e dívidas


Em Fevereiro último, a cidade de Angoche, no norte de Moçambique, passou das mãos da FRELIMO para a RENAMO. O novo edil, Ossufo Rajá, denuncia que, quando tomou posse, nem sequer encontrou canetas para escrever.

O novo edil do Conselho Autárquico de Angoche, da RENAMO, Ossufo Rajá diz que não encontrou praticamente nada quando tomou posse em fevereiro - só dívidas superiores a oito milhões de meticais (mais de 110 mil euros).





"Não encontrámos absolutamente nada. Nem esferográficas, nem papéis, nem sequer recibos para cobranças de taxas nos mercados. Encontrámos, sim, dívidas com os descontos dos trabalhadores no Instituto de Segurança Social e outras dívidas com os trabalhadores nas finanças. Temos dívidas com o FIPAG [Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água], que é de um milhão de meticais (cerca de 14 mil euros), e tivemos outras dívidas de singulares. E o engraçado é que contraímos 256 mil meticais (cerca de 3.500 euros) [de dívidas] com peixe, enquanto a instituição não trabalha com peixe, senão com papéis e outros."





Desaparecimento "misterioso" de verbas

O edil denuncia também o desaparecimento "misterioso" de verbas canalizadas pelo Governo central, em janeiro, destinadas ao pagamento dos salários desse mês para os 400 funcionários do município.

"Apareceu o vencimento, que era para o mês de janeiro, mas as pessoas não foram pagas. O dinheiro sumiu em dois dias, porque fora depositado no dia 5. Até dia 7, quando estavam a entregar [a gestão municipal], não tinha nada, era tudo zero".

Ossufo Rajá diz que já processou judicialmente o edil anterior, para se esclarecerem todas estas questões na Justiça. "O assunto já está na Procuradoria [distrital]".

Ex-edil de Angoche nega acusações




Em entrevista à DW, o antigo edil de Angoche, Américo Adamugy, nega todas as acusações do autarca da RENAMO."Isso não constitui a verdade! Temos os relatórios de termo de mandato e todas as entregas foram feitas formalmente. Todos os processos estão lá. Naturalmente, qualquer instituição tem algumas dívidas. Por obrigação, alguém que assume o ativo deve também ter de assumir o passivo. Essa é uma das formas de encobrir as suas fragilidades de poder dirigir convenientemente o município", disse.

Adamugy diz que, até ao momento, não foi notificado pela Justiça para responder sobre a sua gestão em Angoche. Só jornalistas é o que o têm contactado.

Esta é a segunda vez que o município de Angoche é gerido pela RENAMO, o principal partido da oposição em Moçambique.





O novo autarca queixa-se que o governo central ainda não canalizou o dinheiro do Fundo de Compensação Autárquica e de Investimentos, pelo menos até ao mês passado. Mas garante que, mesmo assim, já está a pagar salários e a reabilitar as estradas, com receitas locais e de parceiros.

Dw – 07.05.2019



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